Os mesmos pressupostos que determinaram a "entrada" do FUTURO no panorama
da Imprensa local permanecem, hoje e ainda, válidos. O suficiente
para que o título não abandonasse o público.
Procurámos disponibilizar um diário votado/vocacionado
a informar a comunidade portuguesa- sem prejuízo de alguma criatividade
e posicionamento político-, contribuindo, modestamente, para a formar
a opinião pública. (Uma entidade que se costuma- costumam-
definir pela ausência).
Como se sabe, nada mais do que o argumento sucedâneo da má-fé
pura e dura; a mesma mezinha, aviltada com a prática da opinião
avulsa e convulsa, que procura fazer esquecer o fenómeno (?) do
défice democrático.
Os pressupostos mantêm-se. Estamos certos. Mas os destinatários,
reconheçamos, já só existem na ficção
em que se transformou o processo de transferência de administração
de Macau. Dirigimo-nos, por isso, aos nossos leitores residuais e a todos
os que nos acompanharam durante cinco anos e oito meses. Aos que connnosco
dividiram a convicção e o fascínio de colocar na bancas
o FUTURO fica lavrado o nosso agradecimento. De entre todos, é justo
relevar o empenho e o serviço público a que se votaram os
proprietários do título- os advogados Manuela António
e Rui Afonso.
Subscreveram, sem reservas, um projecto condicionado pelas limitações
próprias de um mercado- em que nem todos assumem "desproporcionadas"
responsabilidades- e, cumulativamente, desnivelado por descriminações
assumidas, claramente. Sem pudor, assinalemos.
Mas a realidade dos números e a (má) qualidade da ficção
obriga-nos a encerrar este capítulo da Imprensa macaense. Sem sacrificar
os pressupostos. Adicionamos, até, uma preferência pelo humor
em tempos de dérobade.
O "público" fica mais só. Mas sobeja-lhe, adicional,
tempo para ajuizar sobre as razões que animaram a nossa participação
na vida de Macau. A recusa em aceitar o delírio taxonómico
dos bons portugueses/maus portugueses- os ingénuos não terão
percebido, em corolário lógico, a existência de bons
macaenses/maus macaenses e de bons chineses/maus chineses-, a resistência
às unanimidades artificiais- em que a intimação à
crença se traduz na execução cega e na descerebração
como valor- e o repúdio por esse caldo indigesto de preconceitos
e ressentimentos históricos. Aquecido/requentado num cesarismo envergonhado.
Mas igualmente nocivo.
"Partimos" tão discretamente como chegámos. Com uma missão
em espírito.
O espírito de missão, esse, fica para os que confudem
a História de Macau, com o seu lugar na estória de Macau.
SP